30 de abril de 2026
No Brasil, o V Consenso Brasileiro foi apresentado na SBAD em novembro de 2025, com publicação oficial prevista para 2026. A mudança mais importante está na adaptação ao aumento da resistência à claritromicina, aproximando a conduta brasileira das recomendações internacionais mais recentes. Quando investigar H. pylori A investigação é mais indicada em situações como: dispepsia sem sinais de alarme, especialmente em pacientes mais jovens úlcera gástrica ou duodenal história de câncer gástrico ou risco familiar linfoma MALT gástrico gastrite atrófica e metaplasia intestinal uso crônico de AINEs ou aspirina com risco de úlcera anemia ferropriva sem causa definida púrpura trombocitopênica imune O Maastricht VI reforça a estratégia de testar e tratar na dispepsia não investigada, principalmente quando não há sinais de alarme. Como diagnosticar Métodos não invasivos Os principais são: teste respiratório com ureia marcada antígeno fecal para H. pylori sorologia, com a limitação de não diferenciar infecção ativa de exposição prévia Quando o objetivo é detectar infecção ativa , os métodos mais úteis são o teste respiratório e o antígeno fecal . Métodos invasivos São usados quando o paciente realiza endoscopia: teste rápido da urease histologia cultura com antibiograma testes moleculares para resistência antimicrobiana O Maastricht VI recomenda ampliar, sempre que possível, o uso de testes de susceptibilidade, seja por cultura ou métodos moleculares, antes do tratamento, embora reconheça que isso depende da realidade prática de cada sistema de saúde. O que mudou no tratamento A principal mudança foi o enfraquecimento da antiga terapia tripla clássica: IBP + amoxicilina + claritromicina Durante muito tempo, esse foi o esquema mais usado. Com o aumento da resistência à claritromicina, ele perdeu força como opção empírica universal. Enquanto o IV Consenso Brasileiro ainda aceitava a terapia tripla por 14 dias como primeira linha, o V Consenso passa a enfatizar três pontos: adição de bismuto maior inibição ácida com IBP otimizado ou PCAB maior dose e frequência de amoxicilina Esquemas de primeira linha A opção preferencial atual é a terapia quádrupla com bismuto , em esquema conceitual com: IBP ou PCAB bismuto tetraciclina metronidazol A duração costuma variar entre 10 e 14 dias , embora muitos consensos internacionais favoreçam 14 dias , salvo quando houver comprovação local de eficácia com 10 dias. O Maastricht VI recomenda a quádrupla com bismuto em áreas com resistência alta ou desconhecida à claritromicina. Quando o bismuto não está disponível Podem entrar como alternativas: terapia quádrupla concomitante sem bismuto IBP + amoxicilina + claritromicina + metronidazol terapia dupla em alta dose IBP/PCAB + amoxicilina em dose otimizada esquemas guiados por susceptibilidade antimicrobiana Entre as terapias quádruplas sem bismuto, o Maastricht VI aponta a terapia concomitante como a melhor alternativa quando a quádrupla com bismuto não está disponível. Papel dos PCABs, como a vonoprazana Os PCABs são bloqueadores ácidos competitivos de potássio. Eles oferecem supressão ácida mais potente e mais sustentada do que muitos IBPs. Na prática, isso importa porque a erradicação do H. pylori não depende só do antibiótico. O controle adequado do pH gástrico também pesa no resultado. O V Consenso Brasileiro valoriza o uso de PCABs quando disponíveis, embora reconheça limitações de custo e acesso. Segunda linha e resgate terapêutico A escolha da segunda linha depende do que já foi usado antes. De forma prática: falha da terapia tripla com claritromicina → quádrupla com bismuto falha da quádrupla com bismuto → levofloxacino, rifabutina ou alta dose de amoxicilina falha da terapia concomitante → quádrupla com bismuto ou esquema guiado por resistência múltiplas falhas → idealmente cultura ou teste molecular de resistência O Maastricht VI reforça que o resgate terapêutico deve considerar resistência local e, quando possível, teste de susceptibilidade. Controle de erradicação Esse ponto é central: depois do tratamento, é preciso confirmar se o H. pylori foi realmente erradicado. Os melhores métodos para isso são: teste respiratório antígeno fecal O teste não deve ser feito logo após o tratamento, porque isso pode gerar falso negativo. Em geral, recomenda-se aguardar pelo menos 4 semanas após antibióticos e suspender o IBP por cerca de 2 semanas , quando possível, antes da confirmação. Probióticos Probióticos não substituem antibióticos. O papel deles é adjuvante. Eles podem ajudar a reduzir efeitos gastrointestinais, melhorar adesão e, em alguns cenários, contribuir para a taxa de erradicação. Ainda assim, o V Consenso Brasileiro destaca que continuam faltando definições mais precisas sobre cepas, dose, momento de uso e duração. Pylorigen® – Teste Rápido de Antígeno Fecal para H. pylori O Pylorigen® é um teste rápido imunocromatográfico para detecção qualitativa de antígeno de Helicobacter pylori em amostras fecais. Ele auxilia na identificação de infecção ativa , oferecendo uma alternativa prática, rápida e não invasiva para a rotina laboratorial. 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