Consenso atual sobre Helicobacter pylori

No Brasil, o V Consenso Brasileiro foi apresentado na SBAD em novembro de 2025, com publicação oficial prevista para 2026. A mudança mais importante está na adaptação ao aumento da resistência à claritromicina, aproximando a conduta brasileira das recomendações internacionais mais recentes.
Quando investigar H. pylori
A investigação é mais indicada em situações como:
- dispepsia sem sinais de alarme, especialmente em pacientes mais jovens
- úlcera gástrica ou duodenal
- história de câncer gástrico ou risco familiar
- linfoma MALT gástrico
- gastrite atrófica e metaplasia intestinal
- uso crônico de AINEs ou aspirina com risco de úlcera
- anemia ferropriva sem causa definida
- púrpura trombocitopênica imune
O Maastricht VI reforça a estratégia de testar e tratar na dispepsia não investigada, principalmente quando não há sinais de alarme.
Como diagnosticar
Métodos não invasivos
Os principais são:
- teste respiratório com ureia marcada
- antígeno fecal para H. pylori
- sorologia, com a limitação de não diferenciar infecção ativa de exposição prévia
Quando o objetivo é detectar infecção ativa, os métodos mais úteis são o teste respiratório e o antígeno fecal.
Métodos invasivos
São usados quando o paciente realiza endoscopia:
- teste rápido da urease
- histologia
- cultura com antibiograma
- testes moleculares para resistência antimicrobiana
O Maastricht VI recomenda ampliar, sempre que possível, o uso de testes de susceptibilidade, seja por cultura ou métodos moleculares, antes do tratamento, embora reconheça que isso depende da realidade prática de cada sistema de saúde.
O que mudou no tratamento
A principal mudança foi o enfraquecimento da antiga terapia tripla clássica:
- IBP + amoxicilina + claritromicina
Durante muito tempo, esse foi o esquema mais usado. Com o aumento da resistência à claritromicina, ele perdeu força como opção empírica universal.
Enquanto o IV Consenso Brasileiro ainda aceitava a terapia tripla por 14 dias como primeira linha, o V Consenso passa a enfatizar três pontos:
- adição de bismuto
- maior inibição ácida com IBP otimizado ou PCAB
- maior dose e frequência de amoxicilina
Esquemas de primeira linha
A opção preferencial atual é a terapia quádrupla com bismuto, em esquema conceitual com:
- IBP ou PCAB
- bismuto
- tetraciclina
- metronidazol
A duração costuma variar entre 10 e 14 dias, embora muitos consensos internacionais favoreçam 14 dias, salvo quando houver comprovação local de eficácia com 10 dias. O Maastricht VI recomenda a quádrupla com bismuto em áreas com resistência alta ou desconhecida à claritromicina.
Quando o bismuto não está disponível
Podem entrar como alternativas:
- terapia quádrupla concomitante sem bismuto
IBP + amoxicilina + claritromicina + metronidazol - terapia dupla em alta dose
IBP/PCAB + amoxicilina em dose otimizada - esquemas guiados por susceptibilidade antimicrobiana
Entre as terapias quádruplas sem bismuto, o Maastricht VI aponta a terapia concomitante como a melhor alternativa quando a quádrupla com bismuto não está disponível.
Papel dos PCABs, como a vonoprazana
Os PCABs são bloqueadores ácidos competitivos de potássio. Eles oferecem supressão ácida mais potente e mais sustentada do que muitos IBPs.
Na prática, isso importa porque a erradicação do H. pylori não depende só do antibiótico. O controle adequado do pH gástrico também pesa no resultado.
O V Consenso Brasileiro valoriza o uso de PCABs quando disponíveis, embora reconheça limitações de custo e acesso.
Segunda linha e resgate terapêutico
A escolha da segunda linha depende do que já foi usado antes.
De forma prática:
- falha da terapia tripla com claritromicina → quádrupla com bismuto
- falha da quádrupla com bismuto → levofloxacino, rifabutina ou alta dose de amoxicilina
- falha da terapia concomitante → quádrupla com bismuto ou esquema guiado por resistência
- múltiplas falhas → idealmente cultura ou teste molecular de resistência
O Maastricht VI reforça que o resgate terapêutico deve considerar resistência local e, quando possível, teste de susceptibilidade.
Controle de erradicação
Esse ponto é central: depois do tratamento, é preciso confirmar se o H. pylori foi realmente erradicado.
Os melhores métodos para isso são:
- teste respiratório
- antígeno fecal
O teste não deve ser feito logo após o tratamento, porque isso pode gerar falso negativo. Em geral, recomenda-se aguardar pelo menos 4 semanas após antibióticos e suspender o IBP por cerca de 2 semanas, quando possível, antes da confirmação.
Probióticos
Probióticos não substituem antibióticos. O papel deles é adjuvante.
Eles podem ajudar a reduzir efeitos gastrointestinais, melhorar adesão e, em alguns cenários, contribuir para a taxa de erradicação. Ainda assim, o V Consenso Brasileiro destaca que continuam faltando definições mais precisas sobre cepas, dose, momento de uso e duração.
Pylorigen® – Teste Rápido de Antígeno Fecal para H. pylori
O Pylorigen® é um teste rápido imunocromatográfico para detecção qualitativa de antígeno de Helicobacter pylori em amostras fecais.
Ele auxilia na identificação de infecção ativa, oferecendo uma alternativa prática, rápida e não invasiva para a rotina laboratorial.
Principais diferenciais
- detecção de antígeno fecal de H. pylori
- amostra não invasiva: fezes
- resultado rápido
- aplicação simples na rotina do laboratório
- kit com 20 testes
- alternativa útil para investigação inicial e acompanhamento pós-tratamento, conforme orientação clínica
O Pylorigen® contribui para uma rotina diagnóstica mais ágil, especialmente em pacientes com suspeita de infecção por H. pylori, dispepsia, gastrite, úlcera péptica ou necessidade de confirmação de erradicação após o tratamento.
Entre em contato com a ArgosLab e solicite o Pylorigen® – Teste Rápido de Antígeno Fecal.










